Place des Vosges

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terça-feira, 6 de março de 2012

No meio do caminho tinha uma árvore, ou tinha uma construção no meio do caminho?

Amazônia

Nepal

Aí estão dois casos idênticos em países distintos. Como as fotos mostram, são situações em que uma árvore resolveu intervir na construção humana.
Na primeira foto temos uma casa indígena, da tribo Sateré-Mawé, na Amazônia, onde uma árvore tombou sobre o local de moradia dos índios. Na segunda, há um pequeno templo, no Nepal, onde uma árvore resolveu crescer firme e forte em cima do templo. Em ambos os casos, entre a construção e a árvore, a natureza prevaleceu e o homem procurou um novo lugar para se alojar/fazer suas orações.
Eram lugares distintos, em países distantes, com idiomas diferentes, mas que me emocionaram, ainda que por um momento, por mostrar o respeito pela vida. Digo vida em um sentido mais amplo, não a minha, a sua ou a do outro, mas o viver de maneira geral. Isso fica ainda mais forte quando presenciado por pessoas como eu, da cidade grande, onde a unica vida com a qual temos um pouco (bem pouco) de respeito é a humana. (E bota pouco nisso!)
Em São Paulo, onde vivo, com certeza não teríamos tempo para tirar uma foto dessas... e se tivéssemos seriam provas para um furuto laudo para mostrarmos a uma seguradora que a nossa casa, ou igreja, deveria ser arrumada pela prefeitura, ou por quem quer que seja. Lá não, é a árvore, é a natureza, talvez nós estejamos no lugar errado... vamos nos mudar!
Nenhuma das situações está certa ou errada, mas são modos das diferentes culturas enxergarem uma mesma coisa: uma árvore. Uma vida.
Por isso que digo que a beleza das coisas está nos detalhes, mas não basta ver, é preciso olhar (dá-lhe pedagogia!). Sejamos felizes com a sutileza das coisas!

Para refletir

Coincidência ou não, essa semana recebi por e-mail uma frase que resume um pouco uma das conclusões que tive depois de visitar a Amazônia. Lição de moral? Talvez não... prefiro chamar de conscientização!

"Quando a última árvore for cortada,
quando o último rio for poluído,
quando o último peixe for pescado,
aí sim eles verão que dinheiro não se come..."
(Chefe Sioux)



domingo, 4 de março de 2012

Hotel de Selva

Antes de continuar, é válido dizer que não existe um único hotel assim na Amazônia, aqui será feito o retrato do lugar onde ficamos, então pode ser que nem todos sejam exatamente da mesma maneira. Também aproveito para falar que a intenção não é fazer propaganda, seja positiva ou negativa, de nenhuma rede hoteleira, portanto o nome do hotel será preservado. Se você sabe onde é e tem algo a dizer recomendo o Trip Advisor! Estamos combinados?

E em um belo momento desse blog eu comentei que fiquei hospedada em um hotel de selva. Nesse simples comentário, posso ter despertado as imaginações férteis e tenho medo de imaginar o que vocês pensaram. Vamos lá: o que exatamente é esse hotel?
Não tem muito segredo, como o próprio nome diz... é um hotel... na selva. Rá! Bom, não era bem aí onde eu queria chegar.
O mais importante a dizer é que não temos que caçar, não andamos de cipó e nem temos que carregar um facão para abrir caminho entre o quarto e o café da manhã. Por outro lado, nada de luxo, serviço de quarto, TV, telefone no quarto e nem lobby com trilha sonora de Phil Collins (eu sempre associo o cantor com hall de hotel, desculpem me!).
Pois bem, realmente, estávamos no meio da floresta, com hospedagens espalhadas pela mata, todas interligadas por pontes que, dependendo da época do ano, podem ser flutuantes ou não. Quando o rio sobe, as pontes flutuam, quando baixa, ficam suspensas por troncos e outra artimanhas da arquitetura ribeirinha. Havia torres espalhadas por toda parte, cada uma com alguns andares, onde as acomodações eram distribuídas. A parte administrativa do hotel tinha sua torre própria, onde também abrigava o restaurante. Por fim, o destaque do hotel, eram verdadeiras casinhas, espalhadas no topo das árvores, chamadas de "Casa do Tarzan". Essas eram suítes diferenciadas, onde pessoas citadinas como eu, podem ter a experiência de se hospedar em uma casa da árvore. Foi lá onde ficamos!!
Além do quarto e banheiro, nossa casinha também tinha uma piscina particular. Quando eu andava no quarto as vezes tinha a impressão de que ele poderia desmoronar a qualquer momento. Aliás, eu realmente acho que ele pode cair sem aviso prévio, mas ainda bem que nada aconteceu. Nas manhãs, escutávamos os macacos passear em volta e no teto de nosso quarto. A noite ainda era mais selvagem, pois começava a invasão de sapos e pererecas. Medo! Entre os dois, fico com o macaco!
Passear pelas passarelas flutuantes do hotel também foi um atrativo, pois já que selva é selva, as coisas não tem hora marcada para acontecer, então com sorte dava para ver bicho preguiça, pássaros coloridos e, sim, até a tal da anaconda conseguimos ver enrolada em uma árvore! Agora o grande destaque fica para os macacos, que rondavam o restaurante, passeavam perto do bar e, quando nos distraíamos, atacavam nossa comida e, no meu caso, a caipirinha de abacaxi.
Não posso dizer que esse hotel especificamente é recomendado para todo tipo de pessoa, pois apesar das acomodações e organização serem semelhantes a de uma hospedagem comum, a floresta pode sempre surpreender, os bichos estão lá (maldita perereca no vaso sanitário!) e você tem que estar disposto a ficar 24 horas em contato com a natureza. Por outro lado, a experiência é muito mais válida do que fazer um bate-volta na floresta. Além de tudo, se você não quiser fazer nenhum passeio, o próprio hotel já é um atrativo em sí. Eu recomendo!
Uma das torres, essa era de hospedagem!

Passarelas e passarelas!

Outra torre... mais temática... rs
E mais passarela...

Ataque de macacos!
Lar doce lar!
A casa do Tarzan!

Pool party!

sexta-feira, 2 de março de 2012

Enquanto isso, na tribo Sataré-Mawé

Lembrem-se: visitamos as tribos a noite, estávamos sem lanterna, mas dá para curtir o som. Segue um pouco da tradição indígena, dessa tribo específica.

Eles cantando e o menino com a mão na luva...

A bandinha dos curumins!

"Na Natureza Selvagem"

O leitor atento percebeu que um dos posts desse blog falava sobre um filme que leva o mesmo título!

Não dá para resumir a experiência amazônica em um único post. Na realidade, não dá para resumir experiências fantásticas em palavras, mas já que o objetivo desse blog é esse, vamos tentar fazer isso do melhor modo possível. A maneira mais didática que encontrei (olha o lado professora aflorando) foi dividir toda a viagem em posts temáticos.
Começaremos pelos passeios na floresta, e que floresta!!!!!!! Na área mais verde do MUNDO há, obviamente, uma cultura local muito interessante. Vou falar um pouco sobre as visitas, para sintetizar, pois já estou ficando confusa e vocês também já já vão ficar doidos com a minha confusão.
Eu seria incapaz de contar quantos estrangeiros já não me perguntaram sobre a floresta amazônica. Cada vez que me perguntavam eu achava:
1 - Tudo muito clichê 
2 - Ok, a Amazônia deve ser legal, mas calma aí!
3 - Vai para o Rio de Janeiro que vale a pena: mais rápido, prático e também é Brasil.
E em um belo dia eu entro em um barco e saio com destino ao centro do tal do "pulmão do mundo". No próprio barco o ribeirinho que nos conduzia ao hotel contava inúmeras histórias sobre a época da cheia, da vazante, dos igapós, igarapés... e nesse vocabulário todo novo eu percebi que ingressava em um outro universo. Quanta cultura, quanto Brasil naquelas terras!
Eu já tinha ouvido falar das cheias do rio, mas não sabia que era algo geral. Na minha concepção de má aluna, isso ocorria em algum lugar muito específico. Eis que eu chego na época da cheia, ou seja, na época da chuva, e é tanta água que parte da floresta fica submersa e o único meio de transporte é através de barco. Aliás, o maior, em alguns casos único, meio de locomoção por lá é pelas águas. Em muitos momentos, enquanto passeávamos na floresta dentro do barco, parecia inacreditável que debaixo daquela aguaceira toda estava um pedaço da floresta. E o mais engraçado é que muito da vegetação estava sim, parte em baixo d'água e parte fora, ao meu lado.
A questão da época de cheia também é uma "mão na roda", pois ao invés de andarmos horas e horas no meio do mato, ficamos sentados e de "porto em porto" fazemos visitas e realizamos passeios. Como nossa jornada era de apenas 04 dias, foi difícil encaixar todas as atividades possíveis, mas até que nos saimos bem.

Dia 1
Casa dos ribeirinhos
(cabuladores de aula: ribeirinhos são os que vivem na beira do rio, riacho, etc)
Fomos visitar uma família ribeirinha onde uma simpática senhora nos mostrou como eles vivem enquanto fazia tapioca com castanha do Brasil para saborearmos. No quintal da casa dela tinha árvore de açaí, cupuaçu e milhares de frutas da região. Embora eu saiba que essa família está acostumada a receber turistas, é interessante conversar com alguém extremamente local.

Casa do ribeirinho

Cupuaçu

Castanha do Brasil (também Castanha do Pará)
Açaí
E a tapioca quase pronta!


Focagem de Jacaré
A noite saímos de barco novamente e fomos focar jacarés no rio. Claro que estávamos sem lanterna, então dependíamoss o passeio todo dos turistas solidários que iluminavam as coisas para a gente. Deu um certo medo andar de barquinho no Rio Negro em uma noite de lua nova, breu total, admito! Enfim, o caboclo que nos acompanhava iluminava para lá, iluminava para cá e eis que o barco para. Parou, um caboclo segurou a lanterna e o outro PULOU NA ÁGUA E AGARROU O JACARÉ! Ok... um mini-jacaré, mas ainda que fosse uma lagartixa eu não entraria alí naquele horário nem por reza brava. O caboclo subiu no barco com o jacaré na mão e os mais corajosos tiveram a chance de também segurar o anfíbio. Depois ele nos ensinou a fazer a focagem já que até então eu não estava entendendo como ele encontrou o bicho com uma lanterna no meio do nada. Para quem não sabe, quando você ilumina um local que tem jacaré, você deixa a luz tem que estar direta para eles e os olhinhos dele brilham, são dois pontinhos vermelhos no meio do nada. O caboclo nos mostrou, eu ví milhares deles e graças a Deus era hora de voltar... já pensou aquela canoa afunda? Oh my...
O guia explicando mais sobre o baby jacaré
Meu herói! hehehe


Dia 2
Passeio na floresta
A canoa parou em algum lugar da Amazônia, nós descemos e simbora para a caminhada! A mata era realmente fechada, uma trilha bem "rústica", com fauna e flora encantadoras! Caminhamos por cerca de 1h30, com paradas para explicações sobre as árvores, armadilhas, pegadas de animais e outras curiosidades. Como a floresta é linda, linda!! Viva a natureza! E viva o repelente!!!!!!!

A natureza é nossa!!!
O guia Raimundo Praia faz todos degustarem frutos da floresta!

Fim da trilha, os barcos a nossa espera
Pesca de Piranha
Já que é água para tudo quanto é lado, vamos pescar!!! Além de eu nunca ter participado de uma pescaria, a maior emoção foi fazer tudo isso em meio a uma "chuva torrencial", daquelas de encher ainda mais os rios amazônicos. Alimentei todos os peixes com minha isca, ou seja, não pesquei nenhum... ok, legal, está valendo... piranha não é o meu forte (Rá!), agora o Alê pescou umas 04... hummmm...

Quatro piranhas? Precisamos conversar...

Piranhas!!!!

Dia 03
Comunidade São Tomé
Mais uma comunidade ribeirinha. Esta é mais famosa, pois já participou do caldeirão do Hulk e coisa e tal, mas vale a visita. Destaque para o ribeirinho que faz borracha, contador de história, só risadas com ele!


Comunidade São Tomé

A Seringueira

O contador de histórias. Sim, isso que ele está segurando é o que vocês estão pensando!!!

Alimentar o Pirarucu
A madame sonolência aqui dormiu a tarde e perdemos o passeio. Obrigada!

Tribo Indígena
Sou meio traumatizada com essa história de tribo, uma vez na Bahia fui visitar uma e o índio estava no Skype. Ok, nada contra, mas a gente sempre espera ver um índio com milhares de penas, cocar, chocalho e todos os aparatos. Fomos a uma tribo Sataré-Mawé e essa valeu a visita. Além do tour de apresentação da tribo e instalações, eles fizeram uma demonstração do rito de passagem com as formigas tucandeiras. Essa é aquela tradição em que os meninos, quando estão se tornando homens, tem que colocar a mão em uma luva cheia dessa formiga, cuja picada dói horrores. A nossa visita foi a noite, fica o destaque para a iluminação através de fogo e os curumins (hehe) guiando a gente com uma vela na mão (estávamos sem lanterna, lembram-se?)


Ok... não foi o melhor ângulo

Tucandeiras na luva, alguém tem coragem?

Dia 04
Nadar com os botos
E o boto cor-de-rosa existe!!!!! Na Amazônia essa história de boto é meio perigosa, especialmente para mulheres... quando aparecem grávidas dizem que foi o boto... rs. Nadamos com nosso golfinho de água doce, figura mais brasileira. E ele é rosa mesmo!! =)

Olha o boto!!

E depois de tudo isso é hora de pegar o barco e voltar para Manaus... 60km de viagem na água e muita experiência de recordação!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Carnaval na Floresta

O Carnaval foi se aproximando e junto com ele os blocos, esquentas, micaretas e a pergunta que não calava: para onde eu vou?
Claro que a pergunta veio a tona quando faltavam 15 dias para o maior feriado do Brasil e, com certeza, nada estava decidido. A cereja do bolo foi decidir que, além do prazo curtíssimo e da indecisão, a viagem deveria ser feita com milhas!! Por incrível que pareça ainda havia diversas opções no menu da cia aérea, mas uma delas chamou a atenção: Amazônia.
O espírito de viajante desbravadora com a falta de espírito carnavalesco decidiu que esse seria o local perfeito. Transferências de milhas, trocas por passagens, pagamento de taxas aeroportuárias e pronto, a menos de 10 dias do Carnaval estávamos, o Alê e eu, com as passagens aéreas preparadas rumo a Manaus.
Mas já que a Amazônia nos chamava não bastava ir até a capital do Estado do Amazonas, precisaríamos de algo mais selvagem. O Alê fez uns contatos e mais uma vez pronto: o hotel de selva estava nos esperando!
Admito que eu não sou a maior fã de ecoturismo que vocês poderão conhecer. Aliás, para ser sincera, eu nunca gostei muito dessa história de mato, trilha, montanha e caminhadas bizarras, mas já dizia a minha saudosa mãe, "nunca diga que dessa água você nunca beberá". E eu bebi! Me joguei nas águas do Rio Negro e tive uma experiência incrível!
O que aconteceu no período da festa do Rei Momo vocês acompanharão nos próximos capítulos!
OBS: os posts da Índia não foram abandonados, depois dos episódios "Carnaval na Floresta" vou postar o fim da viagem!